quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

COLUNA de João Pereira Coutinho FOLHA UOL 8 de janeiro
.......Mas divago. Dizia que é impossível trabalhar em casa porque moro a dois passos da embaixada israelense em Lisboa. E as ruas foram tomadas de assalto por manifestantes pró-palestinos que gritam há duas horas as maiores obscenidades. Lá pelo meio, existem cartazes onde "nazismo" e "holocausto" são ostentados sem um pingo de vergonha. Ou, melhor, sem um pingo de conhecimento histórico. Porque é sobretudo a ignorância histórica que perturba nos conflitos recorrentes do Oriente Médio. Na cabeça das brigadas, os judeus aterraram em 1948 na Palestina, roubaram a terra dos árabes e até hoje oprimem as populações de Gaza e da Cisjordânia. Nada do que sucedeu realmente antes de 1948, no próprio ano de 1948, em 1967 ou em 1973 os perturba. Camp David, no ano 2000, é um mistério para eles.
Talvez por isso eu evite discutir o assunto. Nos últimos dias, convidaram-me para vários debates sobre a situação em Gaza. Debates públicos, alguns televisivos. Recusei todos: quando perguntava pelos nomes dos outros membros do painel, descobria que havia sempre um fanático anti-semita lá pelo meio e eu, com honestidade, não tenho tempo nem cabeça para aturar lunáticos. E escrevo "fanático anti-semita" no sentido próprio do termo. Podemos discordar das ações do governo israelense. Eu discordo de várias, a começar pela construção de colonatos, que cheguei a visitar "in loco".
Mas o "fanático anti-semita" não é aquele que critica Israel. O anti-semita é, como qualquer anti-semita, aquele que mente e deturpa para promover a destruição de judeus.
A mentira e a deturpação estão nos "Protocolos dos Sábios do Sião", o documento forjado pelas autoridades czaristas que "comprovava" as intenções judaicas de dominação do mundo, um excelente pretexto para perseguir e matar judeus ainda no século 19. A mentira e a deturpação, dois séculos depois, estão agora na negação da natureza genocida do Hamas, uma força terrorista financiada e treinada pelo Irã que tem como propósito, constitucionalmente assumido, o extermínio de Israel. Quem discute o problema de Gaza e omite este fato basilar, ou seja, o fato de uma das partes nem sequer admitir a existência da outra, peço desculpa, não passa de um reles anti-semita.

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